Os profundos e ocultos mistérios da Virgem Maria

Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem
Queridos irmãos COT, tenho experimentado a maravilha de ler o que São Luís Maria de Montfort escreveu sobre Maria, a Mãe de Deus em seu livro “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”. Ele explica, com grande unção e propriedade, a necessidade da devoção à Santíssima Virgem e como ela é indispensável para a nossa salvação. Exatamente. Esta devoção é essencial, fundamental e necessária para salvarmos nossa alma, por isso diz São João Damasceno: “Ser teu devoto, ó Virgem Santa, é uma arma de salvação, que Deus dá aos que quer salvar.” E os santos Padres, e São Boaventura com eles, dizem que a Virgem Santíssima é o caminho para ir a Nosso Senhor. Ele é o nosso único Mestre, que nos deve ensinar, o único Senhor de quem devemos depender, o único Chefe a quem nos devemos unir, o único Modelo ao qual nos devemos assemelhar, o único Médico que nos há de curar, o único Pastor que nos deve alimentar, o Caminho único que nos deve conduzir, a única Verdade em que devemos crer, a única Vida que nos deve animar o único Tudo, que nos deve bastar em todas as coisas. Não nos foi dado, debaixo do céu, outro nome pelo qual devamos ser salvos, senão o nome de Jesus…
Pois bem, Santíssima Virgem é o caminho mais fácil, mais curto, mais perfeito e mais seguro para irmos a Jesus, filho de Maria, nosso Senhor e único mediador entre Deus e os homens. Se Jesus Cristo, que é Deus, se submeteu completamente por amor e voluntariamente a Maria, por que não faremos o mesmo, praticando a imitação de Cristo, tendo uma perfeita e fervorosa devoção à Virgem Santa?
Convido você agora a praticar essa devoção escutando com o coração e com entendimento o que São Luís de Montfort escreveu sobre as riquezas da “Saudação Angélica”, “Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. (Lc 1,28) e também do canto do Magnificat:
A Ave-Maria e o terço
Terão grande devoção em rezar a Ave Maria, ou Saudação Angélica. Poucos cristãos, embora esclarecidos, conhecem o valor, o mérito, a excelência e a necessidade desta oração. Foi preciso que a Santíssima Virgem aparecesse repetidas vezes a grandes santos muito esclarecidos, como São Domingos, São João Capistrano, o Bem-aventurado Alano da Rocha, para lhes mostrar o mérito desta oração. Compuseram grossos volumes sobre as maravilhas da sua eficácia na conversão das almas. Publicaram altamente e publicamente pregaram que, tendo a salvação do mundo começado pela Ave Maria, a salvação de cada alma em particular está ligada a esta oração. Foi esta oração que fez dar à terra seca e estéril o fruto de vida, e é esta mesma oração que, rezada com devoção, deve fazer germinar nas nossas almas a palavra de Deus, e fazer brotar o fruto de vida, que é Jesus Cristo.
Disseram ainda que a Ave Maria é um orvalho celeste que rega a terra, isto é, a alma, para lhe fazer produzir fruto a seu tempo. E a alma que não for regada por esta oração ou orvalho celeste não dará fruto, mas apenas silvas e espinhos, não estando longe de ser amaldiçoada (Cfr. Hb 6,8).
250 – Eis o que a santíssima virgem revelou ao Bem-aventurado Alano da Rocha, conforme é referido no seu livro “De dignitate Rosarii”, e depois citado por Cartagena. “Fica sabendo, meu filho, e fá-lo saber a todos, que um sinal provável e próximo de condenação eterna é ter aversão, tibieza e negligência em rezar a Saudação Angélica, que salvou todo mundo. – Scias enim et secure intelligas et inde late omnibus patefacias, quod videlicet signum probabile este t propinquum aeternae salutationem angelicam, totius mundi reparationem” Lib, de Dignit. Cap. 2.
Palavras tão consoladoras quão terríveis, que dificilmente se acreditariam se não tivéssemos esse santo por garantia e, antes dele, São Domingos e depois muitos grandes personagens que se lhes seguiram, com a experiência de muitos séculos. Efetivamente sempre se verificou que os que trazem o sinal da condenação, como todos os hereges, os ímpios, os orgulhosos e os mundanos odeiam e desprezam a Ave Maria e o terço. Têm-lhes horror; preferiam trazer consigo uma serpente a um terço. Os orgulhosos, embora católicos, como têm as mesmas inclinações que seu pai Lúcifer, também desprezam ou votam indiferença à Ave Maria, considerando o terço como uma devoção para efeminados, própria para os ignorantes e analfabetos.
Pelo contrário, a experiência tem mostrado que aqueles e aquelas que apresentam grandes sinais de predestinação, amam, saboreiam e rezam com prazer a Ave Maria, e que quanto mais são de Deus, mais gostam desta oração. Foi o que a Santíssima Virgem ao bem-aventurado Alano depois das palavras que acabo de citar.
251 – Não sei como isto se faz, nem porquê, mas não deixa de ser uma realidade: não tenho melhor segredo para conhecer se uma pessoa é de Deus, do que ver se ela gosta de rezar a Ave Maria e o terço. E digo: gosta porque pode acontecer que uma pessoa esteja na impossibilidade natural ou mesmo sobrenatural de rezar, mas sempre gosta e inspira-a aos outros.
252 – Almas predestinadas, escravas de Jesus em Maria, ficai sabendo que a Ave Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai Nosso. É a saudação mais perfeita que podemos dirigir a Maria, porque é a que o Altíssimo lhe transmitiu por um Arcanjo, a fim de lhe ganhar o coração. E foi tão poderosa, pelos encantos secretos de que está cheia, que Maria consentiu na Encarnação do Verbo, apesar da sua profunda humildade. Será também por meio desta saudação que lhe ganharemos infalivelmente o coração, se a dissemos como convém.
253 – A Ave Maria bem rezada, isto é, com atenção, com devoção e modéstia, é, segundo os santos, a adversária que põe o demônio em fuga, e o martelo que o esmaga. É a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o Cântico do Novo Testamento, o gozo de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave Maria é um orvalho do céu, que torna fecunda; é um beijo puro e amoroso que se dá a Maria. É uma rosa vermelha que se lhe apresenta, uma pérola preciosa que se lhe oferece, e um pouco de ambrósia e de néctar divino que se lhe apresenta. Todas estas comparações são dos santos.
254 – Peço-te instantemente, pelo amor que te tenho em Jesus e Maria, que não te contentes com rezar a coroinha de Nossa Senhora, mas que rezes o terço cada dia, e mesmo, se tiveres tempo, o rosário quotidiano. Se o fizeres, bendirás na hora da morte o dia e o momento em que me acreditaste. Depois de teres semeado nas bênçãos eternas no céu: “oui seminat in benedictionibus, de benedictionibus et metet – Aquele que semeia nas bênçãos, bênçãos recolherá também” (2 Cor. 9,6).
Recitação do Magnificat
Para agradecer a Deus as graças que concedeu à Santíssima Virgem, as almas escondidas dirão muitas vezes o Magnificat, a exemplo da Bem-aventurada Maria de Oignies e de vários outros santos.
É a única oração e a única composição da Santíssima Virgem, ou antes, que Jesus compôs nela porque Ele falava pela boca de Maria. Este é o maior sacrifício de louvor que Deus recebeu na lei da graça. Por outro lado, é o mais humilde e reconhecido, por outro, o mais sublime e elevado de todos os cânticos.
Há nele mistérios tão grandes e tão ocultos que os anjos os ignoram. Gerson, doutor muito piedoso e sábio, gastou uma parte da vida a compor tratado plenos de erudição e piedade, sobre os mais difíceis temas. Mas foi só depois, no fim da vida, que empreendeu, a tremer, explicar o Magnificat, para assim coroar todas as suas obras. Diz-nos num volume infólio, que sobre ele compôs coisas admiráveis sobre o belo e divino Cântico. Entre outras coisas, diz que a própria Santíssima Virgem o recitava muitas vezes particularmente depois da Sagrada Comunhão, em ação de graças.
O erudito Benzônio, explicando também o Magnificat, conta muitos milagres operados pela sua virtude. Diz que os demônios tremem e se põem em fuga, quando ouvem as palavras: “Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui – Manifestou o poder do seu braço e confundiu os soberbos nos pensamentos de seus corações” (Luc. 1,51).
Assista a esse vídeo e sinta porque nossa Boa Mãe tem tantos méritos diante de Deus e de seu filho, Nosso Semhor Jesus Cristo:
Que Nossa Senhora lhe conceda todas as graças necessárias para a sua santificação pessoal e comunitária dentro da Vocação discipular sobrenatural que Deus te colocou.

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